sexta-feira, 22 de março de 2013

Perguntas Complexas, Respostas Publicadas 8 - Sìndromes de Brasileiros - Resposta ao Daniel

Pessoal, Daniel fez excelente pergunta que gerou boa resposta que complementa o artigo sobre Paradigmas Sócio-culturais -comportamentais", acessível em http://www.perspectivacritica.com.br/2012/02/paradigmas-socio-culturais.html?showComment=1363694099042#c3889032877498871122.

Sendo assim, como ficou uma resposta gigante enviada via emial e o assunto ficou ótimo, compartilho com vocês.


Pergunta do Daniel Positivo:
"Bom dia, Mário Cesar.

Parabéns pelo seu artigo, muito esclarecedor e informativo, além de ser leitura necessária para nossa população.

Poderia elencar as síndormes da cultura brasileira que tem conhecimento?

Ministro workshops para o desenvolvimento de líderes e abordamos muito a questão cultural do brasileiro em relação ao tema, em especial as características do paternalismo, do "amigão", que não consegue ser assertivo nem dizer "não" e do coletivismo, no qual pessoas evitam se destacar para não sair do grupo.

Caso queira podemos conversar mais à respeito, meus contatos daniel@dimensaohumana.com facebook: danielpositivo

Abs!"



Resposta do BLOG:

Amigao, vou compartilhar a resposta que dei a você por email, pois acho que ficou bem legal e todos os leitores deveriam ter acesso.

"Daniel, para falar sobre todas as síndromes de brasileiros seria difícil. Se você for procurar muitas, encontrará muita síndrome completamente natural em todo ser humano, em especial todo ser humano oriundo de sociedade ocidental, cristã e capitalista. Vale a pena ler "Como fazer amigos e Influenciar pessoas" de Dale Carnedgie para os temas que você ministra (tenho certeza que você já conhece). "Auto-Engano" de Eduardo Gianneti (não tenho certeza do autor, não estou com o livro aqui) e "Tornar-se pessoa" de Carl Rogers.

Mas sobre síndromes de brasileiros, posso te dar as seguintes dicas: somos latino-americanos. Somos descendentes de ibéricos, negros e índios. Negros e índios foram aculturados e seus mitos e lendas praticamente apagados do arcabouço imediato brasileiro. Quem conhece cultura africana? E cultura indígena? Quais são seus valores que são irradiados na sociedade brasileira?

De pronto digo que dos indígenas parece que o asseio (banho em desproporção a outros povos) e o culto ao coletivo e à amizade parecem ter impregnado nossa cultura. O tema é difícil pois você não acha muitos livros sobre isso. Posso te indicar "Brasil na América" de Manoel Bonfim. Ele conta uma história brasileira que considera a psicologia dos povos que formaram a sociedade brasileira e compara com a psicologia dos povos que integraram a américa espanhola, por exemplo. A escrita sobre a história considerando aspecto psicológico é difícil de ver. Um exemplo excelente deste exemplo de abordagem da história pode ser encontrado em Tito Lívio, no livro "A Monarquia", publicado pela Editora Crisálida.

Tento fugir de te dar conceitos fechados, como você percebe. Mas te darei algo concreto. Fujo, pois não posso dar os conceitos fechados, pois são sempre uma leitura minha, assim como você pode ter a sua. Assim, as leituras para exercício da visão do espírito social é importante, como naturalmente você sabe.

Mas considerando nosso arcabouço cultural, posso dizer que as síndromes mais claras são a do "fidalgo", já explicada; a da inversão da postura da vítima (você é culpado porque te assaltaram, pois você deveria ter fechado o vidro do carro no sinal - isso é um absurdo pois o bandido é que não deveria te assaltar); o culto ao coitadinho (deriva de nossa educação cristã, é um grande mal junto com as máximas "dê a outra face", por exemplo), e a síndrome de vira-lata (não se crê que o brasileiro possa ir além, fazer mais, inovar, ser líder, apontar o caminho e dominar).

Os casos que você deu, sobre o amigão e o do coletivismo, como você denomina, na verdade, como todas as síndromes humanas podem se manifestar de certa forma aqui, mas não vejo como síndromes próprias do brasileiro. São reflexos naturais do ser humano que quer ser aceito. Isso é semelhante em muitas sociedades. É o mesmo caso pelo qual em nossa sociedade que cultua o magro, o gordinho ser obrigado a vestir a roupagem de simpático, alegre e amigo para ser aceito. E o avesso pode ser o caso da menina bela que não sorri. Não sorri porque não precisa ser amável para atrair simpatia e às vezes sendo amável até atrai problemas!! É muito interessante isso. Tanto a simpatia do gordinho quanto a sisudez da bela podem ser atitudes defensivas. Mas sobre isto estamos numa seara mais psicológica humana normal e comum do que síndrome eminentemente brasileira, a meu ver.

Para você falar de síndrome brasileira, você deverá buscar um traço cultural brasileiro que justifique a síndrome e conseguir mais ou menos de forma tranquila demonstrar que isso ocorre no Brasil diferentemente do que ocorre em outros países. Mas toda síndrome humana é válida para seu tipo de palestra sob a perspectiva de atuação no trabalho, conhecimento pessoal sobre limites, e são todas importantes. Mas você me pediu as síndromes brasileiras e tento ver as somente de brasileiros e não as normais que você já com certeza viu e ponderou. Foi o que você me pediu.

Assim, a questão do fidalgo, como expus, creio ser síndrome brasileira. Como você pode abordar isso em sua palestra, é contigo pois você é quem faz o roteiro da abordagem, define finalidades e objetivos didáticos. Toda a síndrome dá margem a muitos reflexos na seara pessoal, familiar, cívica e no trabalho. Abordar tudo isso aqui seria extenuante e você pode fazê-lo. Se quiser um encontro sobre o assunto também estou à disposição.

Um caso grave é a influência da educação cristã que acaba influenciando muito fortemente nosso comportamento e tornando inaceitável você poder por exemplo discutir sobre aumento de salário e aumento de salário de servidores, pois "dinheiro é sujo", como a bíblia diz. A bíblia diz que você deve viver com o suor do seu trabalho e não cobrar juros, por exemplo. Isso acaba limitando nossa sociedade de querer mais como as sociedades protestantes não experimentam, já que o lucro é justificado pela religião cristã protestante.

"Dar a outra face" também é outro conceito cristão de boa conduta que é generalizado e tornado valor absoluto,  e impede reação e cria toda uma sociedade de vacas de presépio, que somos nós, aturando abusos, absurdos de políticos e não exigindo nada, não fazendo passeatas como europeus fazem não participando de sindicatos...

O culto cristão à "figura do humilde" é outra lástima que paralisa e dá substância à síndrome do culto ao coitadinho, incentivando que todos sejam menores e que sejam admirados por essa falta de ambição. Como são admirados, não há incentivo a crescer, pois no fundo, todo homem busca admiração. Se a tem, nada mais fará para que possa tê-la. Lógico que não se quer transformar nossa sociedade na americana que é o oposto a tudo isso que escrevo e que é nosso e que nos faz mais felizes.. mas nem tanto ao mar e nem tanto à terra!!

O culto à lenda de Golias e David também acabou deturpada na compreensão popular, através de pregações e se admira tanto o pequeno ter quebrado o grande que não se admira mais quem é grande!! O grande é corrupto, como Golias. O grande é inimigo. O grande não pode ser admirado. E Eike é odiado por muitos. Mas isto esconde o fato de que os que o odeiam muito mais o invejam e o fato é que sua grandeza ofusca o invejoso e traz à tona para ele mesmo, o invejoso, o quão pequeno ele é. E a maioria dos que gostam dos humildes, gostam porque o humilde é menor do que ele e assim ele se sente superior e podendo exercer sua magnanimidade reconhecendo que o outro "é humilde" , "que bonitinho". O humilde, que talvez não tenha muita chance de ser outra coisa, é identificado socialmente como "o humilde" e admirado por essa característica, então forma-se a simbiose e os dois vivem felizes em sociedade.

Enquanto isso os de grande espírito, mesmo que nunca tenham realizado grandes coisas, admiram os grandes realizadores, não os invejam. É preciso ter grande espírito para admirar alguém maior do que você. É preciso ter coração puro e não ser invejoso. Veja que a Bíblia também cultua os de coração puros e condena a inveja, mas não é essa a leitura que prepondera em nossa sociedade. Prepondera a condenação ao lucro, ao aumento de salário, a desejar algo maior. Prepondera o culto a ser cordeiro de Deus, vítima, conduzido, coitadinho.

É muito uma distorção social da visão dos exemplos de conduta bíblicos sob uma ótica paralisante cristã. A ótica não é paralisante porque é cristã, mas é uma ótica cristã paralisante que influencia nossa sociedade. Agora, vai falar sobre a influência da religião sobre o comportamento social!! É muito delicado.

Quer fazer algo novo? Quer indicar síndromes eminentemente brasileiras? Procure na Bíblia e pense no reflexo paralisante de vários modelos de lendas e parábolas. Retire o conteúdo religioso, pois é tabu na nossa sociedade e ninguém te entenderá se você falar como eu falo, monte as síndromes de forma laica e você estará tratando as síndromes eminentemente brasileiras, além do que já disse, ao meu ver.
Espero ter ajudado.
Abs
Mário César Pacheco"

Daniel, foi fantástica a oportunidade de troca de idéias!! Obrigado por acrescentar ao Blog amigão!

Fique sempre à vontade.

p.s.: naturalmente os negros contribuíram para formar arcabouço cultural brasileiro. Samba seria inimaginável sem a contribuição negra, ou a umbanda.. mas o tema é sobre síndromes comportamentais, desvios de condutas negativos.. nota-se que os valores sociais que levam a estas "condutas e psiquês prejudiciais ao brasileiro" nada têm a ver com contribuições culturais indígenas ou africanas. Neste sentido, a abordagem minimalista da influência indígena e africana sobre a formação de Síndromes e Paradigmas Sócio-Culturais-Comportamentais brasileiros, sob perspectiva negativa destas mesmas síndromes e paradigmas. A influência positiva no comportamento do brasileiro, que há, seja da cultura indígena, africana ou da própria religião cristã, não é objeto do artigo e do estudo apresentado.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ministro Paulo Bernardo - duro com servidores, generoso com as teles

Artigo publicado no Jornal O Globo de hj, pag. 08, intitulado  "PT e Paulo Bernardo estão em pé de guerra", dá notícia de que Paulo Bernardo vem sendo chamado de traidor por integrantes do PT.

Sua noção de contenção do gasto público é bastante seletivo. Enquanto esteve à frente de "negociações" com os servidores sobre concessão de reajustes inflacionários previstos na Constituição, assim como discutindo aumentos e adequações remuneratórias que implantassem uma maior isonomia entre servidores de cargos análogos em todos os Poderes, o Sr. Paulo Bernardo foi o intransigente "defensor do Fisco", dificultando tudo o que pôde para ao final não dar aumento nem reajuste a ninguém, mesmo com carreiras desestimuladas, sofrendo achatamento salarial via inflação não reposta na a ano pelo governo. Hoje Miriam Belchior, parece que sua esposa (se não me engano), continua seu papel de impedir o estímulo ao exercício das carreiras públicas, e uma das consequências é não haver quem queira ser professor!!!

Entretanto, como Ministro das Comunicações sua noção de economia de recursos públicos é bastante diferente: está concedendo subvenções, subsídios, desonerações fiscais a todas as teles, empresas bilionárias que entregam cada vez pior serviço telefônico ao cidadão brasileiro.

Ou seja, economia contra o salário do servidor, trabalhador brasileiro, inclusive contra determinação constitucional de garantia de reajuste inflacionário anual, pode!! Mas já quando se fala de empresas bilionárias e mal prestadoras de serviço público à população, ao invés de punição e exigir suas obrigações pelos lucros que auferem, concede subsídios com o dinheiro público!!

Fantástico! Está sendo chamado de privatista pelas fileiras do PT. e de traidor. É o que realmente parece. Traidor da causa trabalhista, sem dúvida! E entreguista de dinheiro público às bilionárias teles que não merecem, já que não há hoje em dia uma ligação que se possa realizar do início ao fim sem que "picote", oscile o sinal ou simplesmente caia a ligação.

O Blog está atento à conduta das autoridades, impedindo a falta de memória pública. Fez? Então que a se publique e não nos esqueçamos!

quarta-feira, 20 de março de 2013

STF defende a Federação Brasileira ao impedir butim e espólio dos royalties do RJ, ES e SP

O roubo contra Estados produtores de petróleo encontra-se impedido, por ora. A relatora da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade proposta pelo Rio de Janeiro contra a PEC dos Royalties concedeu liminar suspendendo os efeitos da PEC aprovada pelo Congresso, derrubando vetos presidenciais que protegiam as finanças dos Estados Produtores e a harmonia federativa.

Importante notar que somente por medo de perder de imediato receita proveniente do butim sobre os Estados Produtores é que os principais Governadores - instigadores e colaboradores desse movimento anti-federativo, anti-federalista, corrupto, inconstitucional, imoral e anti-ético de desconsideração de direitos compensatórios constitucionais dos Estados Produtores - sugeriram considerar a hipótese defendida há quatro anos e meio pelo RJ, ES e SP de excluir as novas regras de distribuição dos contratos já existentes, das áreas já licitadas.

É bom deixar claro o que significa isso: não é adoção de postura por amor federativo, por racionalização do que é justo, por atenção ao fato de que os valores são essenciais ao RJ, ES e SP e 308 municípios. Também não foi a consideração de que sem esses valores municípios e Estados produtores se transformariam em colônias de exploração com queda de qualidade de vida para os moradores locais e até para os migrantes em busca de trabalho na atividade petrolífera.

A mudança de postura foi até declarada que seria porque melhor garantir 80% dos royalties já do que nada, em caso de o STF conceder a liminar.

É o cúmulo! Realmente, como não poderia deixar de ser, a liminar foi concedida e o direito de minoritários da Federação estão assegurados, por enquanto. Mas o episódio deixa claro que Tarso Genro, Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Campos, Governador de Pernambuco e Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, agiram como ladrões, incentivadores do espólio federativo, egoisticamente e a mal da Federação Brasileira.

Nenhum desses senhores merece voto de Fluminenses e Capixabas ou Paulistas ou de qualquer cidadão que vive em Município Produtor. Ninguém foi à ajuda dos Produtores. Somente o PT e Dilma fizeram isso em momento grave e necessário. Lula que criou o problema também chegou a ajudar em determinado momento, mas inutilmente, pois o caldo já estava derramado. Foi ele que criou o problema, mas todos os outros entraram com lobos sobre cordeiros feridos e abandonados à própria sorte.

Você que lê este artigo talvez não saiba, mas se passasse ou se passar essa PEC espoliadora, o futuro dos filhos dos cidadãos de Municípios e Estados produtores será muito pior, pois as economias destes Municípios e Estados serão gravemente afetadas.

Como sabíamos, o STF não poderia deixar a atrocidade à Constituição ir em frente.. lógico. Mas foi interessante para ver com quem, no tema, o RJ, ES e SP e todos os 308 Municípios Produtores podem contar: nenhum político de projeção nacional, a não ser Lula e Dilma.. os únicos que fizeram algo para abrandar a loucura anti-federativa de estupro das finanças públicas e direitos compensatórios constitucionais dos Estados e Municípios produtores.

p.s. de 27/03/2013 - quero fazer um justo adendo aqui. O Jornal O Globo vem dando especial atenção ao caso royalties. Suas várias publicações, com espaço adequado, destaque adequado e congruência informativa colocam esta mídia do lado honesto e de lato nível no debate deste caso escabroso que ameaça a Federação Brasileira. Neste caso em particular, o Jornal O Globo tem os parabéns do BLOG PERSPECTIVA CRÍTICA por defender a Justiça Constitucional, a minoria federativa, a Federação Brasileira, contribuindo para realizar determinação constitucional e a defesa do projeto perene da Nação Brasileira. Parabéns Jornal O Globo. Os agradecimentos do Blog Perspectiva Crítica.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Raciocínio Econômico e a Correlação prática de elementos econômicos - Perguntas Complexas, Respostas Publicadas 7

Gente, esse artigo era pra ter sido escrito há muito tempo. Mas é difícil, nunca vai estar perfeito e sempre dará margem a discussões. O impulso a escrevê-lo agora veio do pedido de ajuda da leitora Elaine Madeira e da minha insatisfação em relação à resposta que lhe dei  no artigo "Análise Econômica Março de 2013".

Como acontece em todos os casos que levam à lista "Perguntas inteligentes, Respostas Publicadas", esse foi um caso que não daria para responder simplesmente através de novo comentário, como sempre faço, e eu deveria, obrigatoriamente, tratá-lo em artigo próprio. Na verdade a lista "Perguntas inteleigentes, Resposta Pubicadas" deveria se chamar "Perguntas Complexas, Respostas Publicadas", pois muitas outras perguntas feitas são igualmente inteligentes mas são específicas e bem sintonizadas com o artigo que gerou a pergunta, mas não geram a necessidade de grandes espaços de resposta.

Então a questão não é ter sido inteligente a pergunta, já que todas são. A publicação deriva do fato de que a pergunta não consegue ser respondida ou abordada adequadamente em comentário. POr isso também nomeiei o artigo com esse novo título, mantendo a numeração da série "perguntas Inteligentes, Respostas Publicadas". E a numeração não está perfeita, pois outros artigos dizem claramente que são respostas a perguntas de leitores e seguidores e não foram elencados na série, pis o tema era tão relevante que exigia título mais objetivo quanto ao seu conteúdo.

Em suma, dar título a artigos é difícil e tentar estabelecer um bom link e uma boa comunicação com os leitores não é fácil, gente. Vamos em frente.

Elaine Madeira pediu para que ajudássemos a fazer uma resenha sobre "juros salgados disparam juros e dólar despenca a R$1,95". Era mais ou menos isso em seu comentário ao artigo "Análise Econômica de Março de 2013". Como estou com tempo, pois estou de licença médica, posso dar o tempo ideal ao problema e não deixá-la só com as respostas limitadas dos comentários que lhe escrevi no mesmo artigo.

Vejam, o pedido dela nos remete à análise sobre a correlação entre juros, inflação e câmbio. O que dizer para quem quer entender essa correlação? Em um artigo, infelizmente terei de dizer pouco e tentar passar informação importante que ajude a qualquer um entender essa correlação. Isso, me limita muito. Mas vou tentar. Tenho que falar coisas que sejam pouco discutíveis. Então lá vai.

Toda a atividade econômica do País, influenciada por condições produtivas internas (clima, tributação, logística, infra-estrutura, mercado interno, juros bancários, custo de produção, endividamente familiar..) e externas (clima, atividade econômica de países importadores do e exportadores para o Brasil, política monetária e fiscal desses países..), oscila e evolui gerando crescimento do PIB ou decréscimo do PIB. O PIB é normalmente basicamente dividido em três grandes partes: oscilação do setor primário (indústria primária extrativa - minerais, petróelo, água, agrícolas, pecuária, pesca..), setor secundário (industrial), setor terciário (setor de serviços).

Em um ano um setor pode ter decréscimo e os outros dois acréscimos, o que pode resultar em PIB positivo. Para isso é importante notar como em determinado país é distribuída a importância de determinado setor ou setores no PIB. O ideal é que o PIB aumente todo ano, pois significa que a economia está crescendo, gerando empregos e riqueza e tributos para a sociedade.

Esses três setores funcionam por meio da Oferta e da Demanda. A produção gera a oferta de produtos e a sociedade (através de pessoas físicas ou jurídicas) gera a demanda. Quando a produção/oferta é maior do que a demanda, há excesso de produtos e seu preço cai, gerando deflação para aquele setor ou para o mercado daquele produto, dentro de um setor econômico. Quando a produção/oferta é menor do que a demanda, os bens rareiam em sociedade e seus preços aumentam. Quando os preços descem, há pressão deflacionária (deflação), quando sobem, inflacionária (inflação).

Daí você já percebeu: inflação zero é utopia!! Pois todos os produtos e mercados dos três setores deveriam dar somatório zero para seus conjuntos de oscilações individualizadas.

Bem, visto isso. O que é PIB e o que é oferta e demanda, produção e consumo, oscilação de PIB e inflação e deflação? Avancemos.

O ideal é que o PIB cresça, mas com demanda e produção(oferta) equilibrados, não gerando inflação. Quando o consumo está alto, pode pressionar os preços, caso a oferta não seja adaptada a esse aumento de demanda, e pode ocorrer inflação. Assim, há dua formas de se atuar para combater a inflação: diminuindo a demanda ou aumentando a oferta!! Se você entendeu até aqui, você já sabe mais que a maioria dos economistas!! e Principalmente dos jornalistas econômicos!! UAHUAHAUHAUH

Como diminuir a demanda? Ninguém pode impedir ninguém de comprar com o dinheiro que tem, mas pode dificultar este gasto através de medidas macroprudenciais ou por aumento de juros selic, o que aumenta o custo do dinheiro. Cabe ao governo, gerenciando a política monetária, através do Banco Central (autarquia federal que executa a  gerência da política monetária - subordinada ao Governo oficialmente, mas autônoma na prática de mais de 15 anos) adotar medidas que aumentem o custo do dinheiro, desestimulando a demanda para compatibilizá-la com uma oferta baixa.

As medidas macroprudenciais são medidas indiretas de controle da demanda, sendo as mais conhecidas o aumento de depósito compulsório (congelamento/indisponibilidade de parte de estoque de valores depositados em conta corrente em todos os bancos brasileiros e depósito desses valores no Banco Central), aumento de obrigação de colocação de valores próprios dos bancos em cada operação de crédito (o que aumenta o risco de cada operção para o banco e o faz cobrar mais juros ou emprestar menos) e diminuição de prazo para empréstimos bancários (de 96 meses, para 48 mesmes, por exemplo ou de 24 meses para doze para aquisição de determinado bem, ou pra determinada linha de financiamento). Tudo isso encarece a operação de empréstimo e desestimula compras, arrefecendo a demanda, dando tempo de a oferta se ajustar para que não haja inflação. A grande vantagem dessas medidas é que não criam dívida pública e nem atraem dólares, como aumento de juros selic.

A outra medida é aumento de juros. Que significa afetar todo o mercado financeiro de uma vez, indiscriminadamente, independentemente de se o setor primário não apresenta inflação, ou se o secundário naõ apresenta ou de se o terciário não apresenta. É jogar balde de água fria na brasa e ponto. Esfria a economia. É um antibiótico que ataca a economia na parte ruim e na parte boa. Afeta e diminui a atividade de ambas as partes econômicas, independentemente de se é necessário ou não para determinado setor ou mercado de setor.

Isso ocorre porque o custo do dinheiro aumenta pra todas as operação ao mesmo tempo, já que se o governo paga aquele valor para o mercado dar-lhe dinheiro, o que significa o investimento mais seguro da economia inteira, os bancos e agentes financeiros não aceitarão realizar outras operações por valor inferior!! Entendeu?

Aumento de juros, portanto, direciona valores internos não para a produção, mas para os títulos do governo, pois é o investimento mais seguro pra quem tem valores a aplicar. Aumento de juros ainda atrai capital estrangeiro, e faz baixar o dólar pelo aumento de oferta de dólares no mercado brasileiro. Isso tem mais uma vez um impacto deflacionário, pois muitos bens negociados em sociedade estão cotados em dólar (ex. trigo - pão), e se baixa o dólar baixa o valor do produto cotado em dólar e a inflação para o produto gera efetio matemático negativo ou deflacionário, sem ter propriamente a ver com oscilação de demanda e oferta, nesse caso.

Se você abaixa o juros selic, você barateia todas essas operações e os reflexos são contrários aos que mencionei acima, inclusive na atração de dólares para o país, influenciando, mais uma vez a economia e a inflação.

Daí, aproveitando esse gancho, já se pode dizer que o câmbio, apesar de não ter um link tão direto com a inflação como há entre o juros e a inflação, pela configuração de nossa economia e das economias modernas, tem efeito importante sobre a inflação, na medida em que produtos e serviços na sua sociedade estejam cotados em dólar ou sofram a influência desta cotação.

Mas é importante você perceber que juros, inflação e câmbio devem ser administrados e essa administração é meio autônoma entre juros e inflação, já que a inflação pode ser controlada por medidas macroprudenciais e o juros não se destina apenas a controlar inflação, mas também a incentivar ou desestimular o crescimento do PIB. E o câmbio é mais independente ainda em relação a juros e inflação, sendo sua adminstração mais autônoma, mas sem deixar de refletir na perspectiva sobre a evolução de juros e inflação, eis que, hoje, por exemplo, se o câmbio estiver baixo (dólar barato e real valorizado), puxa inflação para baixo e torna menos necessário aumentar juros para controlar inflação.

Por fim, o controle de inflação pode ser feito via aumento de oferta. Todos os instrumentos de controle inflacionário disponíveis ao Banco Central só funcionam para inflação de demanda. Quando há inflação por queda de oferta, só há duas saídas: incentivar mais oferta via aumento de importação ou incentivar produção interna, elevar taxa de investimento (público e/ou privado), para que haja mais produtos no mercado e não haja a inflação, equalizando a oferta e a demanda.

Por isso muitos países retiram petróleo (de oferta de produto oscilante, dependo de guerras nos países fornecedores) ou agrícolas (quando há problema climático e quebra safras nacionais ou internacionais) de cálculo de inflação, pois eventos erráticos e inadministráveis não indicam que houve descompasso entre oferta e demanda de forma normal, previamente aferível, e portanto não indica descontrole inflacionário, mesmo que haja reflexo real de aumento de inflação.

Bem senhores, fico feliz de ter apresentado isso a vocês. O domínio destas regras básicas e práticas, eminentemente práticas, já desvendam vários problemas de avaliação sobre se o mercado está exigindo erroneamente aumento de juros para inflações de oferta, de avaliação sobre se é melhor adotar medidas macroprudenciais do que aumento de juros selic, de avaliação se o momento é de combater inflação com incentivo à produção para aumentar oferta ou se o caso é de constranger a demanda. Também fica um pouco melhor visível a questão sobre a relação entre juros - inflação - câmbio, como queria saber a Elaine Madeira.

Naturalmente isso que eu expliquei não é tudo.. ou melhor dizendo, não é nada. Mas se isso que está escrito já for entendido, você estará em outro nível para ler artigos de economia e para perceber que a maioria apresenta informações estanques, com lógicas relacionais entre juros - câmbio - inflação tão automáticas e superficiais que evidenciam que defendem exclusivamente alguma idéia, muito antes de procurar incentivar o debate econômico para se achar a melhor saída para o desenvolvimento econômico brasileiro com alto crescimento econômico, baixa inflação, câmbio livre e estável, relação dívida/PIB estável e baixa e déficit público baixo e estável.      

p.s.: Não tratei da inflação que ocorre por descontrole fiscal. Fica a dívida. É um pouco diferente e trata de investimento/gasto público, relação dívida/pib, visões de curto e longo prazo. Fugia um pouco do debate demanda x oferta dentro de uma perspectiva mais óbvia e fácil. Foi para facilitar a apreensão do básico. Fico devendo essa. abs

p.s. de 21/03/2013: Também não falei da balança de pagamentos porque não era oportuno. abs

p.s. de 25/07/2013 - Texto revisto, corrigido (termo "oferta" alterado para "demanda" no início do texto) e efetuados alguns negritos para destaque de temas e informações-chave.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Perguntas inteligentes, Respostas Publicadas - Parte 6

Pessoal, um comentário de Henry sobre o artigo da Yoani, acabou criando a oportunidade para falar sobre o foco informativo do BLOG PERSPECTIVA CRÍTICA e também sobre o interesse do BLOG em questões internacionais relacionadas a regimes de governo (ditatorial ou democrático), sistemas de governo (parlamentarismo ou presidencialismo) ou formas de governo (república ou monarquia). O mesmo raciocinio adotado para justificar o nível interesse do BLOG no tema regime ditatorial cubano, é o que usamos para os temas sistemas de governo, formas de governol e mesmo forma de Estado (federativo ou unitário).

Sobre o tema sistemas, formas e regimes de governo, para conhecimento superficial, acesse: http://www.educacional.com.br/reportagens/eleicoes_mundo/parte-04.asp

Como ficou muito boa e provocativa a pergunta, suscitando tema importante e oportunidade de exposição de posição política do BLOG bem como exposição de forma de abordagem deste tipo de tema pelo BLOG, consoante seu foco e finalidade informativa, publico abaixo, para mais fácil acesso, a pergunta do Henry e a resposta do BLOG.

Pergunta de Henry em comentário ao artigo "Yoani, Ditadura Política, Escravidão e Embargo Econômico":
"Teriam que fazer as mesma 40 perguntas para o "isento" Salim Lamrani --- Vcs nesse blog são de fato independentes e essa é a opinião pessoal de vocês em um mundo que deve ser essencialmente livre? Concordam em algumas coisas com FIdel? quais? 50 anos no poder deixariam vcs calados? estranhos pontos que vcs não comentam..."


Resposta do Blog Perspectiva Crítica:

"Henry, ótimas perguntas. Como respondi ao Fábio, você pode notar que o objetivo principal do Blog não é discutir opções de regimes de governo em outros países. Simplesmente porque isso não ajuda o Blog em seu objetivo de criticar fatos sociais, econômicos e políticos internos e externos e publicações sobre esses fatos, sob a perspectiva do cidadão brasileiro. Isso não ajuda a melhorar a qualidade de vida do cidadão brasileiro mais imediatamente ou de forma alguma, aliás, em condições normais de temperatura e pressão.


Revoluções internas de países, alteração do regime de governo em Cuba, Líbia, Afeganistão, Síria, Egito, qualquer lugar que você imagine, não alterará diretamente a qualidade de vida do brasileiro. Por isso ficamos distantes nestes temas, a não ser quando há reflexo de risco à soberania do Brasil ou à economia do Brasil.

Exemplo: o apoio americano ao golpe de Estado em Honduras foi errado, assim como também o incentivo ao golpe de Estado na Venezuela contra Chavez. Por quÊ? Porque esta postura atenta contra o princípio de autodeterminação dos povos. Se o povo venezuelano votou em massa em Chavez e em 90% do parlamento venezuelano, criaram uma proto-ditadura sozinhos. Ninguém tem nada a ver com isso.

Argumentos de que em determinado país existe ditadura e temos de ajudar o país a se libertar, assim como o argumento de que devemos libertar alguns povos ou etnias "oprimidos" dentro de um país estrangeiro (curdos no iraque, por exemplo, criando o Curdistão) é tudo desrespeito ao princípio de auto-determinação dos povos e encoberta sempre (digo sempre, sempre mesmo) interesse dos países intervencionistas "bonzinhos" para avançarem sobre a estrutura social, econômica e política daquele país, com reflexos de influência na respectiva região.

Então, amigo, quem tem que resolver sobre Cuba são os cubanos. Eles fizeram uma revolução uma vez e se quiserem mesmo farão outra. Os árabes sofreram décadas com ditaduras bancadas pelos EUA e agora resolveram se libertar.

par você não ficar sem respota direta, que é o que normalmente todos querem e facilita mesmo a compreensão, a postura do Blog é a seguinte em relação ao regime comunista cubano: o BLOG PERSPECTIVA CRÍTICA não apóia regime comunista em Cuba tanto quanto não apóia regime capitalista em Cuba. o BLOG PERSPECTIVA CRÍTICA apóia o direito de o povo cubano adotar o regime de governo, a forma de Estado, a forma de governo que ele, e somente ele, entenda que é o melhor para si, se que possa ser recriminado, prejudicado ou influenciado por nenhum outro País. Por isso, como o Embargo Econômico americano violenta isso que acabamos de dizer, somos, como a política externa brasileira é, contra o embargo econômico americano. Também somos contra Chavez, falecido ontem, financiar campanhas políticas de Rafael Correa, Cristina Kirchner e Evo Morales, pois isto gera intromissão em assuntos internos de outros países e prejudica justamente o respeito ao princípio de auto-determinações dos povos.

Nós do BLOG defendemos o respeito a regras e a princípios internacionais constantes de tratados internacionais, pois isso é o certo e isto fortalece Organismos Internacionais, o que reflete na maior proteção de todos os povos do planeta, independente de sua força militar, econômica e política.

Espero que tenha ficado claro. Muito obrigado pela sua pergunta. Foi excelente.

Abs e pergunte sempre que quiser! Sua dúvida pode ser a de dezenas de outros leitores."


Fui obrigado, após essa resposta a complementar um pouquinho, conforme não demandava tanto o tema quanto minha prolixidade. E foi oq ue se seguiu.

"Ah, importante.. o BLOG defende o sistema dito capitalista (modo de produção) para o Brasil, com as nuances de políticas que garantam assistência social, saúde pública de qualiadde, educação pública de qualidade e previdência social na forma como existe na Europa e em especial nos países nórdicos, pois isto enriquece os cidadãos e garnte a melhor qualidade de vida conhecida hoje no planeta para a média de cidadãos de um mesmo país com grande isonomia e equanimidade.

Como achamos isso bom para o Brasil, inclusive dentro de regime democrático e com liberdade política, econômica, de expressão e de imprensa, desejamos isso a todos os países do globo, inclusive Cuba, mas respeitamos o direito de cada povo atingir seus próprios objetivos institucionais, consoante sua única e própria dinâmica histórica e social, sem intromissão de ninguém mais.

Quem admite intromissão nos assuntos internos de um país hoje, amanhã não terá argumento para rechaçar intromissão em seus próprios assuntos internos amanhã.

Saiba que há quem defenda nos EUA e outros países ricos "bonzinhos" que nossos índios são "povos oprimidos" pelos brasileiros... o que você, Henry acha disso? Interessante, não?

Abs"

Por fim, o tema ainda suscitou algumas questões e tive de complementar mais uma e definitivavez a resposta ao Henry. Segue.
"Henry, veja só, são 01:01h e sua pergunta suscitou outra abordagem que se eu não fizer não poderei dormir. Então, para que eu durma e possa acordar cedo pra trabalhar amanha, escrevo mais isso.

A ditadura em Cuba é ruim? Ok. Mas alguns principados africanos também eram. O problema não é se é ditadura ou se vige regime monárquico. O problema não é o regime. Sua preocupação é que o povo de tal país está sendo oprimido.

Veja. Na Inglaterra há Rainha. No Brasil e nos EUA não. POrque você não liga? Porque os ingleses não sofrem. Ok. Mas a ditadura não é o problema, assim como presidencialismo ou monarquia também não é. O problema é o que a autoridade e os políticos fazem com seu povo. Certo.

Veja que na Roma Antiga o cargo de ditador tinha prazo de dez anos e era um cargo a que o proeminente romano era eleito pela nobreza romana e um cargo de alta dignidade.

Então quero que você se liberte da idéia de que "a ditadura em Cuba é ruim" primeiramente.

Em seguida, foque no que realmente te interessa: o poder político está sendo exercido em Cuba legitimamente? Está sendo bom para aquele povo? O que posso fazer?

Infelizmente as respostas são: O poder atual se instalou a partir de um movimento revolucionário legítimo para a história daquele povo. E hoje ninguém consegue unir forças contra o regime cubano. Isto é impossível? Não, pois no Orente Médio era igual e o povo resolveu alterar e alterou. Está sendo bom para os cubanos? Eles é que devem responder com sua passividade ou sua luta e não você através da idéia que você tem do que acontece num lugar que você nunca foi e com fotos e filmagens preparads por governos e mídias destes países que são contra o regime cubano (75% das imagens no mundo são produzidos por veículos de mídia ingleses e americanos). O que você pode fazer? Respeitar o princípio de autodeterminação dos povos, torcer para que tudo de melhor ocorra para os cubanos e que, se estiverem insatisfeitos, que tomem as medidas que acharem necessárias para realizarem a sua felicidade de acordo exclusivamente com seus próprios parÂmetros e não com os parÂmetros nossos ou das sociedades capitalistas ocidentais.

Temos de respeitar isso para os cubanos, assim como respeitamos a realeza para os ingleses e o direito muçulmano de que o homem pode casra com mais de uma mulher ao mesmo tempo.

Respeitemos a cultura, as instituições e as vontades, crenças e regimes políticos alheios.

Agora vou dormir graças a Deus!! rsrsrsrs Muito importante o tema."

  É isso. Acho que ficou claro, né pessoal?

Importante salientar que o termo "você" utilizado na última parte da resposta foi usado no sentido neutro. Não me referia ao Henry, mas a língua protuguesa não tem o pronome reto neutro como o alemão e como no espanhol se usa o "uno". Usei o "você" no sentido genérico, que em português equivale ao uso do "uno" em espanhol.

Até porque, convenhamos, quem sou eu para dizer o que alguém tem que fazer, esperar ou desejar?.. Eu somente emito minha opinião. O leitor é que livremente pondera a infomração que passo com a que já tem e chega à sua própria conclusão.

Agradeço ao Henry a oportunidade de abordar o tema sugerido por ele. Acrescentou muito ao Blog. Abs Henry!

Abs a todos





Recorde de acesso diário! 232 acessos em 15 de março de 2013!!

Registrando! Nunca houve acesso diário superior a 200 nos quase três anos de vida do BLOG Bom, não que eu tenha visto. Como é raro o dia em que não abro o Blog (na verdade não me lembro que isso tenha ocorrido, mas pode acontecer), é muito prov´vael que nunca tenha o número de acessos diários suplantado o limite de 200 mesmo.

Mas ontem houve 232 acessos, contados, como sempre de 22h do dia 13/03/2013 até às 22h do dia 14/03/2013, segundo parâmetros do hoster BLOGSPOT, da GOOGLE.

Mais um recorde nosso!!! Falta pouco para alcançarmos a tiragem diária do Globo!! UAHAUHAUHAUAHUHUAHUAH

Seguimos!

Valeu!

p.s.: Se, num mundo utópico, conseguíssemos obter acesso comparável ao do Globo, a informação de massa que chegaria à população não seria manca como é hoje, pois teria o contraponto, para que oleitor lesse, tivesse acesso e ponderasse sobre o que realmente seria a verdade sobre os fatos publicados do dia. Isso seria o mundo perfeito. Mas quem disse que não podemos correr atrás de utopias?! E quem disse que se resignar com as realidades duras e estéreis da vida é bom para nossa realização pessoal como cidadão, como indivíduo e como ser humano?!

Nós do BLOG PERSPECTIVA CRÍTICA, vamos, com você, leitor/seguidor, atrás da porcaria da utopia!!! Não interessa se se realizará ou não!! Faremos a nossa parte! Não nos omitiremos! Faremos nós mesmos,.. nós pouquinhos aqui mesmo, o nosso trabalho e cumpriremos com o nosso dever de proteger os interesses do cidadão, contribuinte individual, trabalhador, servidor ppúblico, autônomo, pais e mães de família!

E ponto.

Crítica à capa do caderno de economia do Globo de 15/03/2013 - a incongruência clássica entre título e conteúdo

Leiam hoje, na capa do Caderno de Economia do Jornal O Globo, à fl. 25 o destaque no canto superior à direita intitulado "Depois da queixa". Compare o destaque dado à colocação pior brasileira no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, ou seja 85º, e o teor do texto indicando que após reclamação brasileira a posição foi revista para 69º, exatamente no final do texto, onde quase ninguém na rua, apressadamente chega a ler.

A frase que começou o destaque, que é o que a maioria lê, foi a seguinte "85º É o lugar que o Brasil ocupa no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas." Isso senhores é o que a maioria apressada nas ruas lerá. O termo "85º", pior e errado pois desconsiderou informações atuais da realidade do Brasil em comparação com outros quase 15 países melhor avaliados a partir desse rro das Nações Unidas, pois bem esse indicativo pior da colocação brasileira está em absoluto destaque, em formatação muito grande em comparação ao texto e na cor laranja. A informação positiva, correta e que enaltece uma melhor situação do País, a colocação corrigida 69º, está no fim, do texto, sem destaque, em mesmo formato de letra e cor do texto.

Isso não é coincidência senhores. É o destaque ao negativo e um recurso que julgamos contrário ao objetivo de mais fácil e correta informação do leitor que lê o jornal, mesmo o leitor furtivo. Do meio para o fim do texto o conteúdo é "No entanto, diante da reclamação do governo brasileiro, o órgão recalculou informalmente e o país ficaria em 69º."

Isso, eu quero que vocÊ aprenda, é o método clássico de diminuir algo positivo e enaltecer o negativo. O título, que é lido mais facilmente, assim como as primeiras frases, que mais facilmente são colhidas pela maioria imensa dos leitores, vem com a informação ruim. Mas o conteúdo, para que não fique evidente a má-fé na produção e disseminação de informação, vem com a informação verdadeira, mas alcançável àqueles que lêem com cuidado, com tempo, com atenção. Esses são poucos. E assim o resultado é espraiar-se a informação distorcida à maioria, continuando o trabalho desinformativo que tem suas finalidades próprias, em especial de crítica ao governo e desconstrução de sua imagem positiva social atual, enquanto não arranha sua credibilidade ao apresentar informação correta de acesso mais difícil, em letras de formas e tamanhos e cores iguais a todo o texto e posicionada essa informação mais ao fim do artigo ou destaque.

Veja, as Nações Unidas fizeram um recálculo. Isso não é relevante? Consideraram as reclamações brasileiras relevantes para fazerem isso. A colocação de 69º seria mais justa, a princípio, e nos enaltece como brasileiros. Então por que o jornal preferiu colocar em destaque a colocação em discussão e que é a pior, "85º", em laranja, em letra de formato diferente do texto, em tamanho equivalente ao de todo o texto que o segue junto? Interesse indutivo informativo, amigo.

O mesmo ocorreu com o título do artigo principal: "Ficou só na promessa", na mesma página 25 do Globo de hoje, 15/03/2013. O título se refere ao fato de que mesmo baixando os impostos da cesta básica, houve aumento imediato da cesta básica ao consumidor.

Agora, veja. Quem fez a promessa? A impressão é de que a promessa foi do governo e ela não foi cumprida. No texto também se passa essa impressão quando é dito que " A desoneração dos tributos federais foii anunciada pela Presidente Dilma Roussef na última sexta feira. O objetivo era reduzir o preço da cesta básica em 12%"(artigo citado, quatro parágrafo, primeira e segunda frases).

Mas quem tem o dever de cortar imposto? O governo. E quem tem de repassar o corte? Os empresários. Então o título dá impressão de que o governo falou e não fez, ou fez algo e não cumpriu promessa. Essa, me desculpem , é a minha impressão. Eu li assim. mas se você pensar, quem não repassou foram os empresários e o governo fez sua parte. Mas fez mais. Cobrou dos empresários o repasse.

Isso, essa informação que enaltece o governo, não está representado no título do artigo, mas está no meio do artigo, sem destaque, para garantir a veracidade do texto e a credibilidade do jornal, mesmo que tenham passado a informação distorcida pela escolha mal intencionada do título que criticamos.

Vejam  o conteúdo do quarto parágrafo: " (...) Já na segunda-feira, o ministro da Fazenda Guido Mantega, convocou para reunião em Brasília os principais empresários e representantes do setor de supermercados e comércio e cobrou "repasse imediato" ao consumior dos menores impostos."

Eu pergunto: quem lê o título e subtítulo do artigo em manchete que ora critico, tem idéia de que o governo age e o empresariado não repassou o cortre de impostos? Não. A escolha do título foi informativa ou indutiva? Indutiva de uma realidade diferente da ocorrida. Para nós foi indutiva. É nisso, é nessa técnica, que consiste a forma pela qual o veículo de mídia manipula a realidade e induz uma imagem ou outra de governo, sem deixar de publicar coisas verdadeiras.

Eu quero que você saiba e entenda essa técnica, para que vocÊ possa avaliar quando a produção jornalística está no sentido indutivo ou informativo. Eu quero que você não seja mais um manipulado. Eu quero compartilhar contigo a forma de dissecar as publicações de jornal para vocÊ avaliar quando o jornal tem intenção em informar em determinado sentido, para você ver como a sua relação de confiança será com esse jornal. Você lerá mais atento ou pode ler mais desatento e à vontade?

E por fim digo que o Jornal O Globo tem todo o direito de publicar da forma que atenda a seus interesses editoriais, empresariais, de classe e consoante sua matiz política, óbvio. Eles tem uma visão de mundo, da qual eu mesmo não posso escapar por ser da classe média, mas que pode ter corrigido o viés! É a isso que se propõe o BLOG PERSPECTIVA CRÍTICA!

Queremos que a grnde mídia veja que a vemos. Queremos que parem de se iludir de que podem manipular a perspectiva sobre a informação que publicam. Queremos que a grande mídia cada vez mais tenha compromisso com a verdade, que busque a neutralidade utópica, que incentive o sentimento positivo de cidadania brasileira, que ajude na fiscalizção do governo e do mercado (repetimos, e do mercado), no sentido de obtermos o máximo de nossas potencialidades como economia e como sociedade: mais pib, menos inflação, controle fiscal, mais prestação de serviço públi e de qualidade, mais qualidade de vida para os brasileiros.

Queremos crer que os jornais sempre estiveram acompanhaods de empresas porque não havia como serem acompnahados dos inívíduos, mas através da internert essa conexação pode ser feita.

É no que cremos, é o que fazemos.

Enquanto esse mundo de comprometimento mais próximo entre grande mídia e cidadão, contribuinte individual não vem, estamos aqui apontando a indução informativa e aplaudindo a boa produção informativa, quando, onde e por quem ela ocorra.